A fenomenologia de Deus
Justificando o título
Justificando o título
Embora segundo Kant essa substância ou noúmeno seja praticamente impossível de ser conhecida, a busca por ela deve ser perseguida e para isto a fenomenologia fornece as ferramentas que permitirão a essa pesquisa uma aproximação bem próxima do real. Naturalmente essa pesquisa fenomenológica deve ser acompanhada de rígida avaliação, afastando todo tipo de valor pessoal, social, ético que possa prejudicar o pesquisador. Do ponto de vista científico a fenomenologia é aceita sem a menor restrição, todavia nas ciências humanas os empecilhos são das mais variadas ordens. Sociólogos, assistentes sociais, historiadores se sentem impedidos de prosseguirem na caminhada fenomenológica face aos valores que teriam que desprezar. E que dizer dos teólogos? Por medo de arriscar a fé, de ser apontado como herege, os teólogos atuais dificilmente enveredam pelo caminho fenomenológico preferindo ficar no conhecimento de sombras (ver Platão), aceitando teorias defasadas, a se arriscar a ser “queimado” diante das tradições religiosas, e covardemente se acomoda ao que todos pensam ainda que ele saiba que está errado.
Nossa proposta é fazer uma fenomenologia de Deus, separando-o do jargão e axiomas denominacionais, e a semelhança dos que querem curar uma doença e colocam o vírus dentro de uma redoma para estudá-lo mais cuidadosamente, queremos tirar Deus deste complexo mundo de temas e títulos que nada dizem de sua natureza, de sua expansão que a lógica lhe dá e redomá-lo a uma compreensão do que realmente ele é. Alguém poderia objetar dizendo que estamos com os gnósticos que pretendiam descobrir quem é Deus filosoficamente. Nossa pretensão é mais modesta, não queremos saber quem Ele é e sim o que Ele significa para nós através do tratamento que lhe damos. Volto a dizer: não o que Ele é e sim como o vemos, que projeção tem de sua imagem.
